§ 01
A conta que o eleitor não pediu
No dia da urna, quem trouxe o Brasil foi o Council on Foreign Relations, e trouxe pelo lado que a campanha não discute. A Rebecca Patterson e a Shannon O'Neil apontam o descompasso entre o que o eleitor quer, mão dura contra o crime e alívio no custo de vida, e o que o investidor está olhando: dívida pública perto de 90% do PIB, mais que o dobro da mexicana, com Selic em torno de 14% e crescimento real de uns 2%. No meio disso, quase metade dos brasileiros está endividada, e a proposta de Lula de ajudar as famílias a renegociar vai na direção contrária do que o país precisaria para baixar a dívida. É o enigma do endividamento que Singer e Araujo levantavam ontem na Lua Nova, agora visto de Nova York e posto como dilema fiscal, não só como mal-estar. Ele se cola à conta do Jairo Nicolau de quinta: Lula precisava de um em cada quatro dos que admitem mudar de voto, e o voto do endividado é justamente esse voto. Fecham o lote o questionário do Datafolha de 24/10, a 10ª rodada da Quaest/Globo do mesmo dia e a Sala de Debate da Quaest sobre o debate da Globo. Nada disso foi lido ainda, e entra no acervo para ser conferido com o que a apuração disser hoje à noite.
IG · TO KEEP · Council on Foreign Relations
The Spillover: tensões fiscais do 2º turno no Brasil (Rebecca Patterson e Shannon O'Neil)
O eleitorado pede líder duro contra o crime e medidas contra o custo de vida, enquanto o investidor olha para uma dívida pública de quase 90% do PIB. A renegociação de dívidas das famílias proposta por Lula vai no sentido contrário ao ajuste. Com Selic perto de 14% e crescimento real de ~2%, a conta não fecha.
"Almost half of Brazilians have debt and they are feeling like they're being swamped."
PESQUISA · DATAFOLHA · GRÁFICO
Datafolha, questionário BR-09540 (24/10/2026)
Questionário da pesquisa Datafolha de 24/10/2026, registro TSE BR-09540.
PESQUISA · QUAEST · GRÁFICO
Quaest/Globo, presidencial, 10ª rodada, questionário (24/10/2026)
Questionário da 10ª rodada presidencial Quaest/Globo, registro TSE BR-09158/2026.
PESQUISA · QUAEST · GRÁFICO
Quaest, Sala de Debate: Debate Globo, 2º turno (23/10/2026)
Material da Quaest sobre como o público percebeu o debate da Globo no segundo turno.
§ 02
Dinheiro, piada e mão no bolso
O Ian Bremmer não usa meias palavras: o americano rico que vota em Trump revela a preferência pelo próprio bolso e pelo da família, acima de qualquer valor. Para os mais poderosos, diz ele, o sonho americano nunca foi liberdade de expressão, sempre foi dinheiro. O Sacha Baron Cohen explica como isso vira voto. Para ele, democracia e rede social não combinam. Conta que um denunciante do Facebook lhe disse que, em 2016, o anúncio custava menos quanto mais viral fosse, e os de Trump viralizavam muito mais. Diz também que a piada de Trump é de propósito, porque o sarcasmo dissolve a crítica. O Yasir Khan, sem querer, mostra a outra metade do teatro: o Zuckerberg com a mão no bolso e a voz baixa para parecer humilde, e a mão aparecendo quando chega a hora do entusiasmo. Cada um encena do seu jeito, um no palanque e outro no palco do produto. O livro do Kupchan dá a moldura grande, com a democracia perdendo para a autocracia e os mercados se partindo, e é o mesmo terreno da confiança em notícia a 36% que o Reuters Institute mediu na quinta.
IG · TO KEEP · Good Question with Amanda Lang
Why do wealthy Americans support Donald Trump? (Ian Bremmer)
Bremmer diz que o rico que vota em Trump põe o bem-estar financeiro acima de valores. Para ele, o problema dos EUA hoje é que muitos dos mais ricos e poderosos só se importam com isso.
"The American dream and American values for the most powerful has not been about liberty and freedom of speech. It's about money."
IG · TO KEEP · Pivot with Kara Swisher and Scott Galloway
"[Trump] is intentionally being funny" (Sacha Baron Cohen)
Baron Cohen diz que o perigo maior é Trump somado a redes sociais e IA, e que a extrema direita usa a comédia para dissolver a crítica. Pelo relato de um denunciante do Facebook, em 2016 o preço do anúncio dependia da viralidade, e quem diz coisas ultrajantes e mentiras vence nesse ambiente.
"I don't think democracy is compatible with social media."
IG · TO KEEP · Yasir Khan
Watch his hands (análise da oratória de Mark Zuckerberg)
Um coach de oratória lê o discurso em que "Mark" fala de construir como "amor ativo" e apresenta o Muse. Mão no bolso e voz baixa passam humildade, e no entusiasmo a mão aparece e a voz sobe. A tese é que o corpo segue a emoção que se quer causar.
"Building is an active love. We pour our hearts and our souls into what we make."
IG · TO KEEP · Yale University Press
Bringing Order to Anarchy (Charles A. Kupchan)
Divulgação do livro do Kupchan. A ordem internacional está num ponto de virada, com a democracia perdendo para a autocracia, os mercados se fragmentando e a rivalidade entre potências crescendo. Ao mesmo tempo, clima, pandemia e tecnologia pedem mais cooperação.
§ 03
Condenados a ser livres
Três recortes curtos que conversam sobre o que acontece quando os fatos param de bastar. O Yann Martel lembra que a civilização ocidental se apoia em Homero, nos gregos e nos Evangelhos, e nenhum deles traz fato: ninguém sabe quando Jesus nasceu, a Páscoa muda de data todo ano e de Troia não se sabe nada. O Henry Ergas vira o espelho para quem estudou. Quem aprende que ideias importam passa a ser as próprias ideias, e por isso o sujeito mais instruído costuma ter a cabeça mais fechada, com horror à dissonância e dificuldade de admitir erro. O Lee Braver, via Kierkegaard e Sartre, fecha o círculo: até diante da ordem divina a Abraão é você quem decide, e sem Deus nem essência humana não há regra a descobrir, só liberdade como peso. É a continuação direta do Friedman de ontem, com o poder de abrir o Mar Vermelho e nenhum Moisés descendo com as tábuas. Se não há tábuas, o que resta é a história que a gente conta, que é o argumento do Martel, e a coragem de largar a ideia errada, que é o que o Ergas duvida que o intelectual tenha.
IG · TO KEEP · David Perell
Western Civilization Was Built On Stories, Not Facts (Yann Martel)
Martel diz que Homero, a filosofia grega e os Evangelhos fundam o Ocidente sem trazer fatos. O 25 de dezembro seria uma escolha romana ligada ao solstício, fixada trezentos anos depois. As pessoas querem histórias.
"You don't want lies, but facts only go so far then you want stories."
IG · TO KEEP · Institute of Public Affairs
"It's often amongst the highly educated that you find the truly closed mind" (Henry Ergas)
Para o economista, quem tem muita instrução incorpora as ideias à identidade, e no intelectual isso é pior, porque a reputação depende delas. Daí a sensibilidade à dissonância cognitiva e a dificuldade de admitir erro.
"And so far from being more open-minded and hence more willing to engage, it's often amongst the highly educated that you find the truly closed mind."
IG · TO KEEP · Ergo
Sartre e a liberdade radical (Lee Braver, From Socrates to Sartre)
Braver usa Abraão e Isaac: como saber se a ordem vem de Deus, de Satanás ou de um teste em que acertar seria desobedecer? Kant acha que Abraão foi reprovado. Sartre conclui que, sem Deus nem essência, somos radicalmente livres.
"Even in the most perfect circumstances where you seem to know exactly what to do, it's still you deciding, do I follow this or not? You can't get out of it. There is no way to escape your freedom, you're doomed to be free."
§ 04
O Claude virou estrategista de Instagram
O fio de quinta continua, só que agora o Claude é o produto. O Fabiano Carvalho promete transformar o Claude em quatro agentes ligados ao Instagram pela API oficial da Meta: métricas, DMs, agendamento a partir do Drive e um substituto do ManyChat sem mensalidade. A Emi Gwendoline diz que saiu de menos de 100 views para 446 mil tratando o Claude como estrategista, e a única lição de verdade nos sete prompts dela é dar contexto e dados em vez de perguntar o que postar. Os dois fecham com isca de lead por comentário, o mesmo truque do framelab e do Chris Chung de quinta. O Pubity mostra o fim da linha, num post patrocinado: criador usando IA para pôr jato e mansão numa garagem qualquer, o "AI LARPing", em que ninguém mais sabe o que é riqueza e o que é cenário. A Ashe Magalhaes dizia na quinta que gancho prende e mundo traz de volta, e esse lote é todo gancho, quase sempre fabricado.
IG · TO KEEP · Fabiano Carvalho
Agora o Instagram conecta com o Claude (carrossel, 8 slides)
Com a API oficial da Meta, o Claude viraria agente de métricas (qual reel trouxe mais seguidor), de resposta de DMs, de agendamento via Google Drive e substituto do ManyChat. É isca de lead por comentário.
IG · TO KEEP · Emi Gwendoline| Brand Strategist for Creators and Businesses
7 prompts de Claude para estratégia de Instagram
São sete prompts: padrões nos últimos 10 reels, ganchos reescritos, formatos vencedores replicados, compartilhabilidade, lacunas e experimentos a partir de métricas. A moral é dar dados e contexto ao modelo. Também é isca de lead.
IG · TO KEEP · Pubity
Creators are now using AI to recreate billionaire lifestyles ("AI LARPing")
Post patrocinado pela Higgsfield. A ferramenta Genjutsu põe supercarros, jatos e mansões em imagens banais, e fica difícil distinguir riqueza real de exibição digital.
§ 05
Avulsos
IG · TO KEEP · Daniel Lubetzky
It takes years to build something. It can take minutes to destroy it.
O empresário comenta imagens de destruição e saque, sem dizer o lugar, e culpa "bandidos" movidos por ódio, vitimismo e desprezo pelos valores ocidentais. Defende que a compaixão não abandone a responsabilização.
"There is no 'cause' that justifies abject violence, destruction and disregard for rule of law."
IG · TO KEEP · Furiouslytech
Se seu MacBook tem mais de 3 anos, o problema não é o hardware (carrossel, 10 slides)
Dicas para acelerar MacBook antigo: Monitor de Atividade, itens de login, Reduzir Movimento, Spotlight, caches, 15% de disco livre, reiniciar toda semana e ficar de olho nos ciclos da bateria (acima de 1000 é desgaste). O último slide vende um "AI Toolkit".
IG · TO KEEP · Be.infinite
Actresses Who Took on Fully Nude Scenes for Film and Television
Lista de atrizes que fizeram nudez integral, de Eva Green em The Dreamers a Léa Seydoux em Azul É a Cor Mais Quente. É entretenimento, sem argumento.