Radar · Fluxo

26.10.26

Segunda-feira
§ 01

Duas horas e um século

Ontem o Fluxo terminou dizendo que tudo ia ser conferido "com o que a apuração disser hoje à noite". Antes da apuração, o que chegou foi o relógio. Às 16h32 de domingo, o Zanin recebe uma reclamação da coligação Brasil Pronto Pra Mais: Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas não tinham ônibus para levar o eleitor até a seção. Ele estica a votação até as 19h no país inteiro. Só que o TSE já tinha fechado urnas às 17h, e veio uma segunda decisão no mesmo dia: a prorrogação vale onde a urna ainda estava aberta, o voto já depositado conta, e as "consequências jurídicas" ficam para depois. As duas campanhas reclamaram do transporte, e é por isso que a decisão pesa. É o STF que a Lua Nova de sábado descrevia como fiador da governabilidade, segurando o ciclo até o último minuto. Em volta disso, a BBC publicou na véspera o lembrete de que nada é novo. O Ely Carneiro de Paiva, da Unicamp, descreve a escada que vai do adversário político ao inimigo da República e chega ao atentado contra Prudente de Morais, em 1897. A crise orgânica de Gramsci, em que duas forças se enfrentam e nenhuma funda hegemonia, tem pelo menos 130 anos de ensaio por aqui.

PDF · DECISÃO · STF (RCL 101.673/BA, MIN. CRISTIANO ZANIN)
Rcl 101.673/BA — decisão liminar de Zanin prorroga a votação até as 19h em todo o país (25/10/2026)

A coligação Brasil Pronto Pra Mais acusa Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas de descumprir a ADPF 1.013 por falta de transporte público para os eleitores. Zanin é informado às 16h32 e prorroga por duas horas, até as 19h de Brasília, o recebimento de votos em todas as seções do país. O cumprimento fica com o TSE.

"Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje (doc. 8), e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até as 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento."

PDF · DECISÃO · STF (RCL 101.673/BA, MIN. CRISTIANO ZANIN)
Rcl 101.673/BA — segunda decisão de Zanin: prorrogação vale onde as urnas não fecharam; votos das já fechadas são computados

As duas candidaturas tinham alegado problema no transporte de eleitores. Depois que o TSE informa que urnas foram fechadas às 17h, Zanin manda cumprir a prorrogação só onde a urna seguia aberta. Os votos das urnas já fechadas são totalizados normalmente, e as apurações ficam para depois.

"Sem prejuízo das apurações necessárias oportunamente e suas consequências jurídicas, determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados, nos termos anteriormente mencionados."

CLIP · BBC NEWS BRASIL
As batalhas que mostram polarização histórica no Brasil: de atentado a presidente, às revoltas e guerras

Na véspera do 2º turno, o Edison Veiga ouve especialistas e percorre as polarizações desde 1889: Floriano, o atentado a Prudente em 1897, o tenentismo, 1930 e 1932, a UDN, 1964 e, por fim, tucanos contra petistas e lulistas contra bolsonaristas. Para o Baptistini, a ditadura não resolveu o antagonismo, só o congelou por 21 anos. O material veio do Paiva por DM e vai para o curta Prudente.

"O adversário deixa de ser alguém que defende outra política e passa a representar uma ameaça à República, à pátria, à ordem ou à própria sobrevivência do regime. A partir daí, a radicalização vai aumentando até culminar com o atentado ao presidente"

§ 02

As últimas fotografias

Fecha-se a série de pesquisas que o Fluxo vem guardando a semana inteira: a Meio/Ideia e o IPESPE no sábado, o Datafolha e a Quaest ontem. Hoje entram a Atlas/Bloomberg de 23/10, o 34º e o 35º relatórios da Gerp, de 21 e 24/10, e a 19ª rodada da BTG/Nexus. Estão todas em gráfico e nenhuma foi lida, então não há número delas para citar aqui. O único número do dia vem por tabela, na matéria da BBC: Datafolha do dia 15, com rejeição de 44% para Flávio e de 46% para Lula. A utilidade do lote é outra. Com a urna aberta, essas são as últimas fotos antes do resultado, e a série completa permite ver quem errou e em que direção. É contra elas que se testa a conta do Jairo Nicolau de quinta, segundo a qual Lula precisava de um em cada quatro eleitores que admitiam mudar de voto.

PESQUISA · ATLAS/BLOOMBERG · GRÁFICO
Pesquisa Atlas/Bloomberg — Nacional (23/10/2026)

Pesquisa nacional Atlas/Bloomberg de 23/10/2026, véspera da véspera do 2º turno. O conteúdo está em gráfico e não foi lido.

PESQUISA · GERP · GRÁFICO
Gerp — 34º relatório, Presidência 2º turno (21/10/2026, BR-03835-2026)

34º relatório Gerp sobre a disputa presidencial no 2º turno.

PESQUISA · GERP · GRÁFICO
Gerp — 35º relatório, Presidência 2º turno (24/10/2026, BR-09327-2026)

35º relatório Gerp sobre a disputa presidencial no 2º turno, último antes da urna.

PESQUISA · BTG/NEXUS · GRÁFICO
Pesquisa BTG/Nexus — Eleições 2026, Rodada 19

19ª rodada da pesquisa BTG/Nexus sobre as eleições de 2026.

Radar · Fluxo

25.10.26

Domingo
§ 01

A conta que o eleitor não pediu

No dia da urna, quem trouxe o Brasil foi o Council on Foreign Relations, e trouxe pelo lado que a campanha não discute. A Rebecca Patterson e a Shannon O'Neil apontam o descompasso entre o que o eleitor quer, mão dura contra o crime e alívio no custo de vida, e o que o investidor está olhando: dívida pública perto de 90% do PIB, mais que o dobro da mexicana, com Selic em torno de 14% e crescimento real de uns 2%. No meio disso, quase metade dos brasileiros está endividada, e a proposta de Lula de ajudar as famílias a renegociar vai na direção contrária do que o país precisaria para baixar a dívida. É o enigma do endividamento que Singer e Araujo levantavam ontem na Lua Nova, agora visto de Nova York e posto como dilema fiscal, não só como mal-estar. Ele se cola à conta do Jairo Nicolau de quinta: Lula precisava de um em cada quatro dos que admitem mudar de voto, e o voto do endividado é justamente esse voto. Fecham o lote o questionário do Datafolha de 24/10, a 10ª rodada da Quaest/Globo do mesmo dia e a Sala de Debate da Quaest sobre o debate da Globo. Nada disso foi lido ainda, e entra no acervo para ser conferido com o que a apuração disser hoje à noite.

IG · TO KEEP · Council on Foreign Relations
The Spillover: tensões fiscais do 2º turno no Brasil (Rebecca Patterson e Shannon O'Neil)

O eleitorado pede líder duro contra o crime e medidas contra o custo de vida, enquanto o investidor olha para uma dívida pública de quase 90% do PIB. A renegociação de dívidas das famílias proposta por Lula vai no sentido contrário ao ajuste. Com Selic perto de 14% e crescimento real de ~2%, a conta não fecha.

"Almost half of Brazilians have debt and they are feeling like they're being swamped."

PESQUISA · DATAFOLHA · GRÁFICO
Datafolha, questionário BR-09540 (24/10/2026)

Questionário da pesquisa Datafolha de 24/10/2026, registro TSE BR-09540.

PESQUISA · QUAEST · GRÁFICO
Quaest/Globo, presidencial, 10ª rodada, questionário (24/10/2026)

Questionário da 10ª rodada presidencial Quaest/Globo, registro TSE BR-09158/2026.

PESQUISA · QUAEST · GRÁFICO
Quaest, Sala de Debate: Debate Globo, 2º turno (23/10/2026)

Material da Quaest sobre como o público percebeu o debate da Globo no segundo turno.

§ 02

Dinheiro, piada e mão no bolso

O Ian Bremmer não usa meias palavras: o americano rico que vota em Trump revela a preferência pelo próprio bolso e pelo da família, acima de qualquer valor. Para os mais poderosos, diz ele, o sonho americano nunca foi liberdade de expressão, sempre foi dinheiro. O Sacha Baron Cohen explica como isso vira voto. Para ele, democracia e rede social não combinam. Conta que um denunciante do Facebook lhe disse que, em 2016, o anúncio custava menos quanto mais viral fosse, e os de Trump viralizavam muito mais. Diz também que a piada de Trump é de propósito, porque o sarcasmo dissolve a crítica. O Yasir Khan, sem querer, mostra a outra metade do teatro: o Zuckerberg com a mão no bolso e a voz baixa para parecer humilde, e a mão aparecendo quando chega a hora do entusiasmo. Cada um encena do seu jeito, um no palanque e outro no palco do produto. O livro do Kupchan dá a moldura grande, com a democracia perdendo para a autocracia e os mercados se partindo, e é o mesmo terreno da confiança em notícia a 36% que o Reuters Institute mediu na quinta.

IG · TO KEEP · Good Question with Amanda Lang
Why do wealthy Americans support Donald Trump? (Ian Bremmer)

Bremmer diz que o rico que vota em Trump põe o bem-estar financeiro acima de valores. Para ele, o problema dos EUA hoje é que muitos dos mais ricos e poderosos só se importam com isso.

"The American dream and American values for the most powerful has not been about liberty and freedom of speech. It's about money."

IG · TO KEEP · Pivot with Kara Swisher and Scott Galloway
"[Trump] is intentionally being funny" (Sacha Baron Cohen)

Baron Cohen diz que o perigo maior é Trump somado a redes sociais e IA, e que a extrema direita usa a comédia para dissolver a crítica. Pelo relato de um denunciante do Facebook, em 2016 o preço do anúncio dependia da viralidade, e quem diz coisas ultrajantes e mentiras vence nesse ambiente.

"I don't think democracy is compatible with social media."

IG · TO KEEP · Yasir Khan
Watch his hands (análise da oratória de Mark Zuckerberg)

Um coach de oratória lê o discurso em que "Mark" fala de construir como "amor ativo" e apresenta o Muse. Mão no bolso e voz baixa passam humildade, e no entusiasmo a mão aparece e a voz sobe. A tese é que o corpo segue a emoção que se quer causar.

"Building is an active love. We pour our hearts and our souls into what we make."

IG · TO KEEP · Yale University Press
Bringing Order to Anarchy (Charles A. Kupchan)

Divulgação do livro do Kupchan. A ordem internacional está num ponto de virada, com a democracia perdendo para a autocracia, os mercados se fragmentando e a rivalidade entre potências crescendo. Ao mesmo tempo, clima, pandemia e tecnologia pedem mais cooperação.

§ 03

Condenados a ser livres

Três recortes curtos que conversam sobre o que acontece quando os fatos param de bastar. O Yann Martel lembra que a civilização ocidental se apoia em Homero, nos gregos e nos Evangelhos, e nenhum deles traz fato: ninguém sabe quando Jesus nasceu, a Páscoa muda de data todo ano e de Troia não se sabe nada. O Henry Ergas vira o espelho para quem estudou. Quem aprende que ideias importam passa a ser as próprias ideias, e por isso o sujeito mais instruído costuma ter a cabeça mais fechada, com horror à dissonância e dificuldade de admitir erro. O Lee Braver, via Kierkegaard e Sartre, fecha o círculo: até diante da ordem divina a Abraão é você quem decide, e sem Deus nem essência humana não há regra a descobrir, só liberdade como peso. É a continuação direta do Friedman de ontem, com o poder de abrir o Mar Vermelho e nenhum Moisés descendo com as tábuas. Se não há tábuas, o que resta é a história que a gente conta, que é o argumento do Martel, e a coragem de largar a ideia errada, que é o que o Ergas duvida que o intelectual tenha.

IG · TO KEEP · David Perell
Western Civilization Was Built On Stories, Not Facts (Yann Martel)

Martel diz que Homero, a filosofia grega e os Evangelhos fundam o Ocidente sem trazer fatos. O 25 de dezembro seria uma escolha romana ligada ao solstício, fixada trezentos anos depois. As pessoas querem histórias.

"You don't want lies, but facts only go so far then you want stories."

IG · TO KEEP · Institute of Public Affairs
"It's often amongst the highly educated that you find the truly closed mind" (Henry Ergas)

Para o economista, quem tem muita instrução incorpora as ideias à identidade, e no intelectual isso é pior, porque a reputação depende delas. Daí a sensibilidade à dissonância cognitiva e a dificuldade de admitir erro.

"And so far from being more open-minded and hence more willing to engage, it's often amongst the highly educated that you find the truly closed mind."

IG · TO KEEP · Ergo
Sartre e a liberdade radical (Lee Braver, From Socrates to Sartre)

Braver usa Abraão e Isaac: como saber se a ordem vem de Deus, de Satanás ou de um teste em que acertar seria desobedecer? Kant acha que Abraão foi reprovado. Sartre conclui que, sem Deus nem essência, somos radicalmente livres.

"Even in the most perfect circumstances where you seem to know exactly what to do, it's still you deciding, do I follow this or not? You can't get out of it. There is no way to escape your freedom, you're doomed to be free."

§ 04

O Claude virou estrategista de Instagram

O fio de quinta continua, só que agora o Claude é o produto. O Fabiano Carvalho promete transformar o Claude em quatro agentes ligados ao Instagram pela API oficial da Meta: métricas, DMs, agendamento a partir do Drive e um substituto do ManyChat sem mensalidade. A Emi Gwendoline diz que saiu de menos de 100 views para 446 mil tratando o Claude como estrategista, e a única lição de verdade nos sete prompts dela é dar contexto e dados em vez de perguntar o que postar. Os dois fecham com isca de lead por comentário, o mesmo truque do framelab e do Chris Chung de quinta. O Pubity mostra o fim da linha, num post patrocinado: criador usando IA para pôr jato e mansão numa garagem qualquer, o "AI LARPing", em que ninguém mais sabe o que é riqueza e o que é cenário. A Ashe Magalhaes dizia na quinta que gancho prende e mundo traz de volta, e esse lote é todo gancho, quase sempre fabricado.

IG · TO KEEP · Fabiano Carvalho
Agora o Instagram conecta com o Claude (carrossel, 8 slides)

Com a API oficial da Meta, o Claude viraria agente de métricas (qual reel trouxe mais seguidor), de resposta de DMs, de agendamento via Google Drive e substituto do ManyChat. É isca de lead por comentário.

IG · TO KEEP · Emi Gwendoline| Brand Strategist for Creators and Businesses
7 prompts de Claude para estratégia de Instagram

São sete prompts: padrões nos últimos 10 reels, ganchos reescritos, formatos vencedores replicados, compartilhabilidade, lacunas e experimentos a partir de métricas. A moral é dar dados e contexto ao modelo. Também é isca de lead.

IG · TO KEEP · Pubity
Creators are now using AI to recreate billionaire lifestyles ("AI LARPing")

Post patrocinado pela Higgsfield. A ferramenta Genjutsu põe supercarros, jatos e mansões em imagens banais, e fica difícil distinguir riqueza real de exibição digital.

§ 05

Avulsos

IG · TO KEEP · Daniel Lubetzky
It takes years to build something. It can take minutes to destroy it.

O empresário comenta imagens de destruição e saque, sem dizer o lugar, e culpa "bandidos" movidos por ódio, vitimismo e desprezo pelos valores ocidentais. Defende que a compaixão não abandone a responsabilização.

"There is no 'cause' that justifies abject violence, destruction and disregard for rule of law."

IG · TO KEEP · Furiouslytech
Se seu MacBook tem mais de 3 anos, o problema não é o hardware (carrossel, 10 slides)

Dicas para acelerar MacBook antigo: Monitor de Atividade, itens de login, Reduzir Movimento, Spotlight, caches, 15% de disco livre, reiniciar toda semana e ficar de olho nos ciclos da bateria (acima de 1000 é desgaste). O último slide vende um "AI Toolkit".

IG · TO KEEP · Be.infinite
Actresses Who Took on Fully Nude Scenes for Film and Television

Lista de atrizes que fizeram nudez integral, de Eva Green em The Dreamers a Léa Seydoux em Azul É a Cor Mais Quente. É entretenimento, sem argumento.

Radar · Fluxo

24.10.26

Sábado
§ 01

Crise orgânica na véspera

Faltando um dia para a urna, a Lua Nova chega com o diagnóstico que o Jairo Nicolau transformou em conta ontem. O editorial fechou em maio e já registrava Lula e Flávio colados nas pesquisas. Registrava também que o apoio ao petista não cresceu desde 2022, apesar de emprego, PIB, isenção do IR até R$ 5 mil e fim da 6x1. É a maldição de quem governa que o Mauricio Moura descrevia na quarta, agora dita pela academia. A introdução põe Gramsci na mesa: uma crise orgânica em que duas forças se enfrentam e nenhuma consegue fundar hegemonia nova. Os artigos procuram onde a coisa trava. Passam pela financeirização, pela Faria Lima e pelo agro, pelo endividamento das famílias e pelo preço da comida, que Singer e Araujo chamam de "enigmas", e por um STF que segurou a governabilidade e sai do ciclo menor. O Ricupero dá a imagem que amarra tudo: o lulismo como "quadratura do círculo", que integra os de baixo sem conflito e assim só adia a ruptura com a hegemonia neoliberal. Junto entram a terceira rodada do IPESPE para a Abrapel, de 22/10, em sumário e relatório, e o consolidado das dez ondas da Meio/Ideia, que mostra o ano inteiro de uma vez. Nada disso foi lido ainda, e é contra essa série que vale testar se a Lua Nova enxergou em maio o que a urna diz amanhã.

PDF · ARTIGO · LUA NOVA Nº 128
Lula 3: equilíbrio precário, democracia travada (Lua Nova nº 128, 2026)

Dossiê da Lua Nova com o balanço provisório do terceiro mandato, com artigos entregues em maio de 2026 (só o editorial e o começo da introdução foram lidos). A moldura é Gramsci, a crise orgânica sem nova hegemonia. Os artigos cobrem financeirização, as tensões com a Faria Lima e com o agro, a "Bancada BBB", o STF como fiador da governabilidade, a "autocracia burguesa" de Florestan (Belinelli), uma democracia "mais pálida" que a dos anos 1980 (Góes) e o lulismo como "quadratura do círculo" (Ricupero).

"Esses números sugerem que o terceiro mandato do presidente Lula não ampliou o apoio ao petista em relação a 2022."

PESQUISA · IPESPE/ABRAPEL · GRÁFICO
IPESPE/Abrapel — Tracking 2º turno, rodada 3 (sumário), 22/10/2026

Sumário da terceira rodada do tracking de segundo turno do IPESPE para a Abrapel.

PESQUISA · IPESPE/ABRAPEL · GRÁFICO
IPESPE/Abrapel — Tracking 2º turno, rodada 3, 22/10/2026

Relatório completo da terceira rodada do tracking de segundo turno do IPESPE para a Abrapel.

PESQUISA · MEIO/IDEIA · GRÁFICO
Pesquisa Meio/Ideia — Janeiro a Outubro 2026 (10 ondas)

Consolidado das dez ondas da pesquisa Meio/Ideia, de janeiro a outubro de 2026.

PESQUISA · MEIO/IDEIA · GRÁFICO
Pesquisa Meio/Ideia — Onda 10, Setembro (2)

Décima onda da pesquisa Meio/Ideia, segunda edição de setembro.

§ 02

Sem Moisés no Sinai

São dois recortes curtos, e os dois tratam a tecnologia como algo que deixou de ser ferramenta. No Streicker Center, o Thomas Friedman chama a IA de nova espécie. Para ele, quando ela convergir com a computação quântica e a fusão, vem um "momento Gênesis", com poder de abrir o Mar Vermelho e nenhum Moisés descendo do Sinai com as tábuas. O Johnathan Bi chega por outro caminho. A cultura tech e a cultura queer dividem a desconfiança das normas e o orgulho da margem, e nas duas vanguardas, a transumanista e a trans, há uma rebelião contra os limites do corpo. Daí ele tira que a tecnologia, em essência, é rebelião contra a natureza, e tem o cuidado de dizer que fala de culturas, não de indivíduos. Um é profeta deslumbrado e o outro faz genealogia, mas os dois partem do mesmo lugar. É o fio do "natural foi construído" de terça, com Turing e Wittgenstein, e da briga de quarta em que o Horowitz acusava a Anthropic de "manifestar" a extinção pela IA. Ninguém responde quem escreve os mandamentos. O Friedman só diz que vão ter de ser escritos coletivamente, o que hoje é a resposta mais difícil de todas.

IG · TO KEEP · THE TEMPLE EMANU-EL STREICKER CULTURAL CENTER
Reel — Thomas Friedman no Streicker Center (2026-10-18)

Friedman diz que a IA é uma nova espécie e não uma tecnologia. A convergência com a computação quântica e a fusão daria, em 5 a 15 anos, computação, energia limpa e inteligência ilimitadas, um "momento Gênesis". A espécie ficaria "divina" sem os dez mandamentos, e os guardrails teriam de ser definidos coletivamente.

"We now have the power to part the Red Sea, just one problem, without the ten commandments. And this time around, there's no Moses who's going to come down from Sinai and hand them to us."

IG · TO KEEP · JOHNATHAN BI
Reel — Johnathan Bi (2026-10-23) — "Why Outsiders are Innovators"

O trecho vem de um vídeo dele sobre Tocqueville e o cristianismo. Bi pergunta por que San Francisco e Berlim são ao mesmo tempo capitais queer e polos de inovação. Responde que as duas culturas são contrárias às normas tradicionais e se rebelam contra os limites do corpo.

"In its essence, then, technology is a rebellion against nature."

§ 03

Avulsos

IG · TO KEEP · KAROLIN TSARSKI
Image Carousel — Karolin Tsarski (2026-10-15)

O carrossel parte do experimento de 1978 na Flórida: 70% dos homens aceitaram sexo com um desconhecido, e nenhuma mulher aceitou. Os estudos seguintes mostram uma lacuna de prazer, de 31% contra 11% de orgasmo no encontro casual e de 95% contra 65% entre heterossexuais em relação. Quando a mulher esperava um parceiro bom de cama, a diferença quase sumia.

"A woman's body opens to pleasure when it feels safe, when there's time, and when someone actually cares whether she enjoys it."

PESQUISA · IPSOS · GRÁFICO
Ipsos Health Service Report 2026

Relatório anual da Ipsos sobre a percepção dos serviços de saúde em 2026.